No último domingo (25), a contagem de votos que culminaria na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) causou uma reviravolta no QG da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). À medida que as apurações avançavam, Flávio deixou o público e se retirou para uma sala reservada, onde a equipe, percebendo a gravidade da situação, realizou uma reunião de emergência. A constatação da derrota estava prestes a se tornar irreversível.
Durante esse momento tenso, Flávio expressou sua incredulidade em relação aos resultados, que apontavam para uma performance inesperada de Lula em redutos bolsonaristas como Santa Catarina e Minas Gerais. A indignação do candidato ficou evidente quando ele repetiu a ideia de que a derrota seria inaceitável, buscando uma explicação para o que considerava um resultado matematicamente impossível.
Os assessores mais próximos começaram a desencorajar Flávio de tomar qualquer atitude que pudesse levar a acusações de fraude, linhas que já haviam custado caro a seu pai, Jair Bolsonaro. O marqueteiro Duda Lima foi claro: “O último que falou em fraude na urna acabou preso”, referindo-se à prisão de Jair em decorrência de seus discursos de contestação eleitoral em 2022.
A situação se tornava mais complexa com a divisão dentro da equipe: enquanto a ala moderada clamava por cautela, outras vozes, como a de Alfredo Gaspar, insistiam em uma retórica mais radical, pedindo a anulação da eleição. Gaspar, assim como Flávio, desqualificava a decisão do ministro do STF, Cristiano Zanin, que havia prorrogado o horário de votação por conta de denúncias de irregularidades.
As tensões aumentaram ainda mais quando Flávio, sentindo-se pressionado, começou a temer por sua segurança. Acreditando que seria perseguido pela justiça, ele alegou que o ministro Alexandre de Moraes poderia buscar sua prisão a qualquer momento. Essa preocupação estava atrelada a uma operação da Polícia Federal relacionada a um advogado próximo a Flávio, levantando suspeitas sobre seu envolvimento em crimes financeiros.
No calor do confronto de ideias, Flávio não deixou explícita sua inclinação em fugir do Brasil, mas uma série de ações subsequentes indicavam sua desorientação. Mesmo sem um plano claro de fuga, ele estava ciente do risco de ser acusado ainda mais após a coletiva de imprensa, que culminou em sua declaração controversa.
A reunião prosseguiu com uma série de apelos por moderação, mas Flávio acabou improvisando diante da imprensa, afirmando que não poderia reconhecer o resultado da eleição, chamando o processo eleitoral de “sacanagem” e anuncia a intenção de solicitar sua anulação.
Após essa intervenção, um membro da campanha confidenciou que a situação tinha tomado um rumo inesperado. Nos dias seguintes, apesar de gravar um vídeo informando que ficaria no Brasil para liderar a oposição, Flávio acabou fugindo para os Estados Unidos, onde emitiu uma carta de autoproclamação como “verdadeiro presidente do Brasil”. O esforço de sua equipe para controlar a narrativa falhou, revelando as fragilidades por trás da campanha.