A recente afirmação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre a possibilidade de concorrer à Presidência da República em 2030 gerou desconforto entre membros do PL. Esta manifestação ocorreu apenas quatro dias após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Integrantes da sigla interpretaram a declaração como um ato oportunista de Tarcísio, considerado por muitos como uma tentativa de se posicionar como alternativa antes mesmo da assimilação da derrota eleitoral pelo movimento bolsonarista.
O mal-estar se intensifica em um momento em que as articulações pela liderança da direita estão começando a se desenhar. Embora Flávio tenha deixado o país, ele expressou interesse em continuar liderando a oposição a Lula. Aliados do senador sugerem que ele pode anunciar sua própria candidatura presidencial para 2030, numa tentativa de preservar seu espaço político, um plano que estaria sendo discutido com Eduardo Bolsonaro e outros colaboradores nos Estados Unidos.
A situação é ainda mais complexa com a presença da ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF), que também é vista com preocupação por aqueles que apoiam a manutenção do papel de Flávio dentro do bolsonarismo.
Cercados de desconfiança, aliados de Flávio criticam o timing das declarações de Tarcísio, considerando-inapropriado o momento para ambições presidenciais, especialmente após uma eleição recente. Eles argumentam que a prioridade deve ser reestruturar a oposição e discutir estratégias no Congresso, considerando que Lula ainda não tomou posse.
Este distanciamento entre Flávio e Tarcísio não é novo. Durante a corrida presidencial, Tarcísio era um dos possíveis representantes do campo bolsonarista, mas acabou optando pela reeleição em São Paulo, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu apoiar Flávio. Apesar de Tarcísio haber colaborado com a campanha de Flávio, algumas vozes no entorno do senador expressaram ceticismo sobre o comprometimento do governador.
Em entrevista ao Estado de S. Paulo, Tarcísio destacou que sua candidatura dependeria da eficácia de seu segundo mandato em São Paulo, afirmando que quyếtões sobre sua possível candidatura deveriam ser coletivas, não unilaterais. Ele enfatizou que sua prioridade continua sendo o cumprimento de seu segundo mandato, apontando que “2030 é outra conversa”.