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Descoberta de sangue em fóssil de dinossauro no Ceará revela semelhanças com aves e mamíferos

Pesquisadores do Brasil e do exterior fizeram uma importante descoberta no campo da paleontologia: um fóssil de dinossauro datado em 115 milhões de anos encontrado no Ceará contém evidências de sangue que se assemelha ao de aves e mamíferos, e não ao de répteis como se pensava anteriormente. Essa descoberta foi publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e pode revolucionar o entendimento sobre a fisiologia e evolução dos dinossauros.

O dinossauro, chamado Aratasaurus museunacionali, foi encontrado em uma mina de gesso em 2008, na região do município de Santana do Cariri, e o seu fóssil foi levado para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens. Após uma série de estudos, sua descrição como nova espécie aconteceu em 2020. A pesquisa liderada por Kliti Grice, da Universidade Curtin, na Austrália, apontou a presença de glóbulos vermelhos e biomoléculas de heme, confirmando a existência de sangue fossilizado.

De acordo com os pesquisadores, a encontrar hemácias preservadas em canais vasculares do fóssil representa uma janela molecular direta para a fisiologia de animais há muito extintos. Alexander Kellner, coautor do estudo, ressaltou a relevância da pesquisa, afirmando: “Não só havia sangue como esse estava onde deveria, isto é, dentro dos vasos”.

A descoberta lança luz sobre uma questão fundamental da paleontologia: a homeotermia, ou a capacidade de manter a temperatura corporal constante. Essa habilidade é essencial para atividades como correr e caçar, e pode ter contribuído para a sobrevivência de certas espécies em condições desafiadoras.

O Aratasaurus museunacionali, que media aproximadamente três metros e pesava cerca de 35 quilos, era um carnívoro considerado de porte médio. Seu nome em homenagem ao Museu Nacional é uma combinação do tupi ara (nascido) e atá (fogo) com o grego saurus (lagarto), refletindo a resistência do fóssil ao incêndio que atingiu o museu em 2018.

As análises feitas com técnicas de espectrometria altamente refinadas permitiram validar a presença de moléculas orgânicas que antes se acreditava serem incapazes de sobreviver por milhões de anos. Essa exploração científica não apenas enriquece o entendimento da evolução do sangue e do metabolismo de animais pré-históricos, mas também abre novas possibilidades em astrobiologia, indicando como estruturas moleculares podem se preservar em condições extremas.

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