Operação Escola de Papel
O Ministério Público do Rio (MPRJ) e a Polícia Civil deflagraram a Operação Escola de Papel, que cumpriu 19 mandados de busca e apreensão como parte de uma investigação que visa desmantelar um esquema de desvio de verbas destinadas às reformas de escolas da rede estadual. Entre os investigados está a ex-secretária da Educação, Roberta Oliveira, que ocupou seu cargo durante o governo de Cláudio Castro. A operação também mira outros integrantes da cúpula da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), como o ex-subsecretário, David de Andrade Marinho Filho, e o genro da ex-secretária, Yurie Lopes Fonseca Ormonde André.
A investigação revelou que os contratos assinados sem licitação haviam direcionado cerca de R$ 1,6 bilhão entre 2023 e 2025, sendo que R$ 19 milhões em bens dos envolvidos foram bloqueados.
O esquema envolvia transferências de verba para associações escolares ligadas às instituições, que posteriormente repassavam os valores a empresas de construção. Nesse processo, saques em dinheiro dificultavam o rastreamento do fluxo financeiro envolvido.
Indícios de Corrupção e Lavagem de Dinheiro
De acordo com as apurações iniciais, uma série de irregularidades foi identificada, incluindo superfaturamento e lavagem de dinheiro. Os contratos eram manipulados para garantir que determinadas empresas fossem favorecidas, criando um cenário de corrupção tanto ativa quanto passiva.
O MPRJ e a Polícia Civil estabeleceram que as contratações eram controladas por um núcleo político, supostamente liderado por Roberta Oliveira.
O MPRJ afirma que, ao realizar os saques em espécie, os envolvidos tornaram mais difícil a identificação de quem lucrava com o desvio dos recursos. Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram saques frequentes no valor de R$ 500 mil, gerando preocupação sobre a movimentação financeira irregular.
Conexões e Fortunas Acumuladas
As investigações revelaram que, entre os investigados, estavam pessoas ligadas ao transporte dos valores desviados. Um policial militar, irmão do genro da ex-secretária, ficou responsável pela segurança em um transporte de dinheiro significativo.
Os registros indicam que cerca de R$ 19,8 milhões foram direcionados à MCK Reformas, empresa que ganhou contratos, embora apenas uma fração desse valor tenha sido efetivamente utilizada em obras.
Além disso, partes dos recursos desviados foram investidas em imóveis de alto valor e uma considerável frota de veículos. A apuração aponta que apenas o patrimônio de Yurie, por exemplo, chega a cerca de R$ 32,22 milhões, acumulando ativos significativos sob sua responsabilidade.
A Resposta do Governo e Implicações Finais
A Secretaria de Estado de Educação, sob nova gestão, declarou estar colaborando com as investigações e implementando protocolos de revisão para os contratos e processos relacionados a obras. O governo promete endurecer os controles internos para evitar a repetição dessas irregularidades no futuro, incluindo novas medidas para limitação de valores em contratações.
A operação permanece em andamento, e as autoridades buscam identificar outros envolvidos nessa rede de corrupção e o destino final dos recursos desviados, visando responsabilizar todos os envolvidos no esquema.