Operação Escola de Papel Alvo de Mandados em Busca
Agentes do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil realizaram, na manhã desta quinta-feira (1º), uma operação abrangente, cumprindo 19 mandados de busca e apreensão. Essa ação busca aprofundar as investigações sobre possíveis desvios de recursos em contratações para reformas de escolas na rede estadual de ensino. Os mandados estão sendo cumpridos em endereços relacionados a pessoas físicas e jurídicas, abrangendo a capital, a Baixada Fluminense e a Região dos Lagos.
Entre os investigados se destaca a ex-secretária de Estado de Educação, Roberta Barreto de Oliveira, que ocupou o cargo de 10 de março de 2023 até 24 de fevereiro de 2026, durante a administração de Cláudio Castro.
Também estão sob investigação seu genro, Yurie Lopes Fonseca Ormonde André, o ex-subsecretário de Gestão Administrativa, David de Andrade Marinho Filho, e o empresário Fabio Martins Pereira.
Graves Acusações de Corrupção e Superfaturamento
As apurações do MPRJ indicam sinais de direcionamento nas contratações, superfaturamento e lavagem de dinheiro. Vários crimes estão sendo investigados, incluindo corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica e organização criminosa. Foi determinado pela Justiça, a pedido do MPRJ, o bloqueio de bens dos investigados no valor aproximado de R$ 19 milhões.
Os contratos em questão foram realizados entre 2024 e 2025, durante a gestão de Roberta.
As investigações revelam que recursos da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) eram repassados a Associações de Apoio às Escolas (AAEs). Essas entidades sem fins lucrativos gerenciavam os recursos públicos destinados a melhorias nas escolas, mas os contratos analisados apresentam indícios de direcionamento e valores superiores aos custos efetivos.
Dinâmica do Esquema: Saques e Transferências Suspeitas
Após pagamentos, a diferença entre os valores dos contratos e os serviços prestados era sacada em dinheiro ou transferida para outra empresa do grupo, dificultando o rastreamento de recursos. A operação se intensificou após a apreensão de R$ 500 mil em espécie em 16 de janeiro de 2026, em Duque de Caxias.
O dinheiro estava relacionado a um saque de um administrador de uma empresa contratada para obras em escolas estaduais, que relatou que apenas uma parte dos recursos recebidos foi destinada à execução das obras.
Em 2025, uma das empresas investigadas recebeu cerca de R$ 19,8 milhões em recursos públicos, com R$ 8,93 milhões em saques em espécie identificados. As investigações prosseguem para rastrear os beneficiários dos potenciais desvios e reunir mais evidências sobre a atuação dos envolvidos.
O DIA está tentando contato com a defesa dos citados na matéria e o espaço permanece aberto para possíveis manifestações.