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Idosa aguarda cirurgia de hérnia e descobre erro no Sisreg

Um Drama de Anos: A Luta de Maria Cristina

Maria Cristina da Silva Tito, uma dona de casa de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, é um retrato da angustiante realidade que muitos enfrentam no sistema de saúde. Durante três anos, ela conviveu com dores constantes, causadas por uma hérnia que a impede de realizar atividades simples do dia a dia, como sair de casa, levantar do sofá ou até mesmo ir ao banheiro.

Após suportar um intenso sofrimento, a situação de Maria tomou um rumo ainda mais frustrante quando, após uma pesquisa vigorosa, ela descobriu que seu nome nunca foi incluído na fila do Sisreg, o sistema que regula o atendimento médico no município do Rio de Janeiro. Maria não está sozinha nessa jornada; milhares de cidadãos brasileiros enfrentam problemas semelhantes que refletem falhas no sistema de saúde pública.

A Revelação Surpreendente

Em busca de uma solução para sua dor, Maria e suas filhas procuraram em 2014 a Clínica da Família Antônio Gonçalves Vila Sobrinho. Na época, a equipe prometeram que a inclusão dela na lista de espera para a cirurgia de hérnia seria feita. Ansiosas pela resposta, suas filhas acompanhavam o tratamento, mas, cinco anos depois, ao retornar à clínica, Maria foi surpreendida com a informação de que seu nome nunca havia sido registrado no sistema.

Essa revelação foi devastadora. A filha, Thainá, recorda o momento em que ligou para saber sobre a situação da mãe. “Eu a ouvi chorando, desolada. Depois de tantos anos, ela descobriu que estava invisível para o sistema. O que ela precisava era de ajuda e ninguém parecia saber disso”, desabafa.

A Longa Espera e Seus Impactos

Dados recentes do Portal da Transparência da Prefeitura do Rio revelam que a situação é preocupante. O tempo médio de espera para consultas com cirurgiões especializados em hérnia tem aumentado exponencialmente. Em 2024, a média já era de 78 dias; em 2025, saltou para 141 dias e, apenas entre janeiro e julho de 2026, atingiu impressionantes 164 dias.

Enquanto aguarda um atendimento que parece não chegar, a saúde de Maria se deteriora. Ela tem empregado uma quantidade crescente de medicamentos para controlar sua dor, e em dias alternados, utiliza outros remédios apenas para se mover dentro de casa. Essa condição limitante tem tido um impacto significativo não apenas em sua qualidade de vida, mas também na de sua família, que se sente impotente diante da situação.

Resposta da Secretaria Municipal de Saúde

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio emitiu uma declaração sobre o caso, informando que Maria precisaria perder peso para se submeter à cirurgia de hérnia. No entanto, Maria afirma que nunca recebeu essa informação. Após a reportagem entrar em contato com a secretaria, foi realizada uma mobilização para atender Maria, que incluiu o agendamento de exames e um tratamento em um centro especializado. Uma equipe de saúde também foi enviada para acompanhar seu caso.

Este novo envolvimento da Secretaria traz esperança, mas os desafios enfrentados por Maria e por muitos outros cidadãos revelam a necessidade de reformas profundas no sistema de saúde para garantir que ninguém precise passar por experiências dolorosas e desumanas como a dela.

Um Apelo por Reforma

Casos como o de Maria Cristina expõem a fragilidade do sistema de saúde pública, levantando questões críticas sobre a eficácia e a acessibilidade dos serviços disponíveis. A necessidade de uma revisão do Sisreg e dos protocolos de inclusão de pacientes é urgente. Mais do que um caso isolado, essa história é um grito por reformulação dos processos, para garantir que todos os cidadãos tenham o direito ao cuidado e à saúde com dignidade.

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