No contexto recente da crise bancária no Paraguai, o empresário Luciano Hang, conhecido por suas lojas Havan, fez uma série de declarações promocionais durante uma visita ao país. Ele convocou empresários brasileiros a investirem no Paraguai, alegando que no país os empresários não enfrentam a ineficiência governamental e têm a vantagem de pagar poucos impostos.
Durante a visita ao palácio presidencial, Hang comentou sobre as melhorias urbanas em Assunção e elogiou a gestão do presidente Santiago Peña como um modelo a ser seguido na América Latina. Sua empolgação era visível, destacando “a modernidade” da cidade e a alegria das pessoas.
A situação, no entanto, se complicou para Peña, que enfrentou uma onda de protestos devido à forte crise envolvendo o Ueno Bank, instituição da qual ele foi acionista e que acumulou uma quantidade significativa de correntistas em sua breve história. A crise da instituição financeira, marcada pela manipulação de balanços e falta de transparência, levou à renúncia do presidente apenas quatro meses após os elogios de Hang.
Paradoxalmente, o Paraguai, que Hang havia exaltado como exemplo de sucesso na administração pública, se viu em dificuldades extremas, incluindo uma eliminação precoce da seleção paraguaia na Copa do Mundo, um evento que Hang tentou usar para glorificar ainda mais a gestão de Peña.
Outros membros do bolsonarismo, como Flávio Bolsonaro, também se juntaram aos elogios a Peña, ressaltando sua suposta capacidade de modernizar a administração pública e investir em governança digital.
Com o futuro político de Peña incerto e a possibilidade de sua prisão se aproximando, a imagem do Paraguai, que foi promovida como uma terra de oportunidades, entra em cheque diante da atual crise de confiança.