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Câmara aprova impeachment do presidente do Paraguai Santiago Peña

A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou, nesta quinta-feira (5), por unanimidade, o impeachment do presidente Santiago Peña. O país enfrenta uma grave crise econômica agravada após a dissolução do maior banco digital paraguaio, o banco Ueno, do qual Peña foi um dos acionistas.

Horas antes da votação, o presidente já havia anunciado sua renúncia ao cargo em meio à turbulência política. Apesar disso, os 78 deputados presentes decidiram seguir com o processo de impeachment, que agora será encaminhado ao Senado. O vice-presidente Pedro Alliana não foi alvo do procedimento.

Para que o impeachment se concretize, é necessário o apoio de dois terços dos 45 senadores da Casa. A Constituição paraguaia prevê que presidentes democraticamente eleitos se tornem senadores vitalícios, mas estes não têm direito a voto, um dos fatores que pode ter influenciado a decisão de Peña em renunciar. Caso o processo de impeachment fosse rejeitado, ele poderia ter assegurado sua imunidade parlamentar.

Crise Econômica e Política

A crise que levou à abertura do impeachment de Santiago Peña começou na última terça-feira (3), com a liquidação do banco Ueno, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e movimentava milhões de dólares em recursos públicos. A intervenção do Banco Central foi necessária após o Ueno registrar um índice de solvência de apenas 5,5%, consideravelmente abaixo dos 12% exigidos por lei, que mede a capacidade de uma instituição financiar suas dívidas.

Investigações indicam suspeitas de fraudes em empréstimos ligadas ao grupo controlador do banco, o Grupo Vázquez, até então associado a Peña, que esteve envolvido até 2025. Já foram detidos oito executivos e diretores do banco no desenrolar do caso.

Segundo Impeachment da História do Paraguai

Se o processo de impeachment for aprovado, será o segundo na história política do Paraguai. O primeiro ocorreu em 2012, quando Fernando Lugo foi destituído em um episódio histórico e controverso, em apenas 48 horas, após um confronto violento durante uma reintegração de posse que resultou na morte de 11 camponeses e seis policiais, levando o Congresso a responsabilizá-lo politicamente.

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