O aumento do ICMS sobre combustíveis, previsto para entrar em vigor em fevereiro de 2027, aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), gerou um acirrado debate nas redes sociais, polarizando opiniões entre apoiadores do governo Lula e aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A nova alíquota traz um incremento significativo nos tributos, com o diesel apresentando a maior alta, de 11,1%. O gás de cozinha e a gasolina também sofrerão aumentos, de 4,8% e 4,5%, respectivamente. Essas mudanças foram formalizadas em convênios na última quarta-feira, três dias após o segundo turno das eleições.
Integrantes do governo Lula, especialmente do PSOL e do PT, começaram a direcionar críticas a Tarcísio, que se tornou o foco das insatisfações relacionadas ao aumento do ICMS. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, utilizou suas redes sociais para contestar a postura do governador, afirmando que enquanto o governo Lula trabalha para conter os preços do diesel, Tarcísio estaria aumentando os impostos.
No vídeo divulgado, Boulos afirmou: “Passadas as eleições, as máscaras caem. Vimos que os bolsonaristas disseram que a esquerda aumentaria impostos, e aqui está o que está acontecendo com o diesel. O Tarcísio, governador de São Paulo, decidiu aumentar o imposto estadual sobre o óleo diesel. Enquanto Lula garante o preço, Tarcísio aumenta imposto. Não dá para ter um discurso e a prática ser outra”.
Em resposta, Tarcísio publicou uma nota rebatendo as alegações de Boulos, ressaltando que o Confaz é um colegiado que reúne todos os estados, incluindo os governados pelo PT, e que a aprovação do aumento foi unânime. Ele também defendeu sua trajetória de manter a alíquota estabilizada em 18%, ressaltando ações de isenção fiscal promovidas pelo estado de São Paulo.
O discurso entre os aliados de Tarcísio foi amplificado por figuras políticas da direita que reafirmaram o compromisso do governador com a ala bolsonarista, apesar das recentes discordâncias. O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, e o senador eleito André do Prado foram alguns dos que se manifestaram em defesa do governador, enfatizando sua lealdade e a necessidade de união no campo conservador.
A contínua batalha de narrativas entre os dois lados reflete as tensões políticas que emergiram após as eleições, em um contexto onde Tarcísio foi criticado tanto por sua posição em relação ao governo federal quanto pela sua eventual candidatura à presidência em 2030. O governador optou por não responder de forma direta às críticas recebidas, mas recebeu suporte de diversos aliados que se prontificaram a defender sua posição nas mídias sociais.