A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro protocolou uma denúncia junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), alegando que o Estado Brasileiro estaria violando seus direitos ao mantê-lo em prisão preventiva sem a apresentação de uma denúncia formal. Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, está preso desde março de 2026, acusado de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Os advogados de Vorcaro, Sergio Leonardo e Engels Muniz, indicam que até o presente momento não há nenhuma ação penal formal contra o banqueiro, o que, segundo eles, configura uma violação de direitos. “A revisão da prisão a cada 90 dias, que a lei brasileira torna obrigatória, não foi feita”, afirmaram.
A defesa ressalta a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) que teve início durante as eleições de 2026, que resultou na falta de um juiz designado para o caso. Os advogados argumentam que Vorcaro está sendo negado o acesso à Justiça e que não possui foro privilegiado que garanta a tramitação dos inquéritos no STF.
Recentemente, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que o caso Master permaneça sob sua responsabilidade por um período adicional de 90 dias, após o inquérito ter sido anteriormente anexado ao ministro André Mendonça. A defesa se reuniu com Fachin na esperança de discutir a situação.
No âmbito da denúncia à CIDH, os advogados expressaram preocupação com vazamentos de conteúdo proveniente dos celulares de Vorcaro, incluindo comunicações entre ele e seus defensores. Menciona-se também uma perícia realizada pela defesa, que sugere possíveis alterações nas mídias apreendidas.
Os advogados enfatizam que, sem a garantia do sigilo entre advogado e cliente, o direito à defesa se torna inexistente. O pedido à CIDH inclui uma solicitação para que um juiz competente analise a libertação de Vorcaro em até cinco dias, exija a cessação dos vazamentos, a retirada de comunicações de advogados dos autos e a preservação dos dados originais das provas.