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Servidores do BC consultaram banqueiro em compra do Will Bank

Investigações Revelam Consultoria Ilegal no Banco Central

As investigações realizadas pela Polícia Federal apontam para um esquema de consultoria informal entre servidores do Banco Central (BC) e o banqueiro Daniel Vorcaro, que envolveu orientações sobre como agir em reuniões com a alta cúpula da autarquia. Nos arquivos apreendidos, destaca-se a existência de um grupo no WhatsApp, nomeado “Master”, entre os servidores e o banqueiro, que foi criado para facilitar essa comunicação.

O foco das orientações girava em torno da compra do Will Bank e da venda de ativos do Banco Voiter, que contribuiu para aumentar a capitalização do Banco Master. Os servidores do BC, como Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, instruíram Vorcaro sobre como usar informações sobre a aquisição de precatórios e a supervisão que o BC tinha sobre a venda do Banif.

A Organização das Reuniões e os Argumentos Sugeridos

Os documentos revelaram que Paulo Sérgio enviou instruções específicas a Vorcaro antes de uma reunião com Roberto Campos Neto, o ex-presidente do BC, enfatizando a importância de comunicar que a arrematação dos ativos sobre a venda que ele estava negociando contava com a anuência do BC para garantir a credibilidade da operação.

Além de enfatizar a venda do Voiter para seu sócio Augusto Lima, Vorcaro foi orientado a mencionar que a compra do Will Bank traria benefícios estratégicos ao Master, incluindo o aumento da base de clientes em 4 milhões através da parceria com Credicesta, uma plataforma de cartões de crédito.

Atuação Paralela e Indícios de Corrupção

A atuação dos servidores não se limitou às reuniões com Campos Neto.

Eles auxiliaram Vorcaro em outras interações com a fiscalização do BC, sugerindo uma lista de tópicos a serem abordados.

Dentre as revelações, destaco que a investigação mapeou pagamentos mensais e vantagens materiais recebidas pelos servidores. Para Paulo Sérgio, foram identificados pagamentos envolvidos em viagens e intermediações imobiliárias, enquanto Belline Santana recebeu repasses fixos através de contratos fictícios.

A Polícia Federal concluiu que a atuação de ambos extrapolou suas funções, ferindo o Código de Conduta dos Servidores Públicos. O Banco Central ainda não se manifestou oficialmente sobre os acontecimentos, enquanto os ex-servidores foram afastados após a detecção das irregularidades.

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