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Miguel Lago analisa a campanha descentralizada de Lula e desafios do novo governo

O cientista político Miguel Lago, especialista em participação cidadã, observa que a descentralização da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026 foi um aspecto inédito que o petista deve considerar para a sua governança. Segundo Lago, essa descentralização ultrapassa a simples presença nas redes sociais e requer uma mudança na forma como o governo se relaciona com a população.

Lago menciona que a disputa eleitoral de 2026 pode ser analisada em duas fases distintas: o primeiro turno, que refletiu a desaprovação ao governo Lula, e o segundo, onde 10 milhões de novos votos foram conquistados por uma mobilização que não se limitou ao partido, mas que teve um forte viés democrático contra a candidatura de Jair Bolsonaro.

A estrutura da campanha foi considerada atípica, com uma mobilização significativa em todo o Brasil, onde cidadãos comuns se envolveram ativamente, convencendo outros a votar. Essa forma de engajamento, segundo Lago, é uma marca que não havia sido vista anteriormente no cenário político brasileiro.

Para o cientista político, a vitória de Lula não deve ser vista como um triunfo exclusivo de sua campanha ou do PT, mas sim como uma vitória da sociedade. Ele enfatiza a necessidade de uma maior descentralização do poder e mais participação cidadã, lembrando que o histórico do PT nas décadas de 80 e 90 trouxe inovações nesse sentido, mas que atualmente o partido parece ter se distanciado dessas práticas.

No que diz respeito à relação entre o governo e a população, Lago expressa preocupação com a possibilidade de uma interação superficial, mediada apenas pelas redes sociais, ao invés de fomentar um vínculo mais profundo e horizontal. Envolver a população nas questões relevantes poderia, segundo ele, ajudar a diminuir a rejeição, mesmo entre aqueles que não têm simpatia por Lula.

Com a realidade de um parlamento mais conservador e uma avaliação mista do seu governo anterior, Lago considera que o novo governo encontrará desafios significativos em convocar a população a participar ativamente. Para ele, embora a aprovação popular não deva superar níveis históricos, Lula pode buscar temas que ressoem e envolvam as pessoas, como a redução das desigualdades e questões climáticas, ainda pouco debatidas.

A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a ideia de uma “vida além do trabalho” se destacam como uma pauta interessante para o novo governo, assim como a urgência de transformações climáticas e desigualdades sociais. Lago expressa um desejo de que o atual governo se abra para novas vozes, promovendo uma verdadeira inclusão na tomada de decisões que afetam a sociedade.

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