Prisão Temporária Mantida na Investigação do Desabamento
A Justiça de São Paulo decidiu pela manutenção da prisão temporária de Ronaldo dos Santos Vivaqua, identificado como sócio oculto de uma das construtoras ligadas ao desabamento de um prédio que resultou na morte de seis pessoas na Penha, Zona Leste da capital paulista. O trágico incidente ocorreu na madrugada do último sábado, 12 de setembro.
Na decisão proferida nesta segunda-feira, 14 de setembro, a juíza Arielle Martinho reafirmou a necessidade da prisão, ressaltando que a autorização original para a detenção foi meticulosamente analisada a pedido da Polícia Civil. Além de Ronaldo, o filho dele, Cristiano Vivaqua, e a responsável pela empresa, Isis Brandão, também tiveram suas prisões temporárias decretadas, mas permanecem foragidos.
Circunstâncias do Desabamento e Investigação
O prédio desabado, com 12 andares, caiu sobre uma residência, matando seis pessoas, incluindo uma família de imigrantes que residia no local há apenas um mês. Informações da Prefeitura de São Paulo indicam que a construção já era alvo de fiscalizações e ações judiciais devido a irregularidades desde 2019, quando foi interditada por falta de alvará.
Ronaldo foi identificado como sócio oculto na construtora New Home por documentos que não o listavam formalmente como proprietário, mas depoimentos e provas indicam sua gerência na obra. Em um depoimento, ele negou qualquer ligação com a construção.
Histórico de Irregularidades e Questões de Segurança
A Prefeitura impôs multas e interdições à construtora ao longo dos anos, incluindo uma significante de R$ 119 mil. Em 2024, uma nova autorização para edificação no mesmo terreno foi condicionada à demolição do prédio já existente, que continuou em construção mesmo sob embargos.
Após o desastre, vizinhos relataram que a casa atingida apresentava rachaduras antes do colapso. De acordo com a Defesa Civil e a Polícia Civil, o desmoronamento não pode ser perfeitamente atribuído às chuvas intensas que atingiram a cidade na madrugada do desastre, embora o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) tenha registrado acumulados históricos no mês de setembro.
Esse trágico episódio expõe a gravidade das questões de segurança nas construções e o impacto das irregularidades no setor, levantando um alerta sobre a fiscalização de obras na capital paulista.