Renovação por meio da corrida
Em Manguinhos, na Zona Norte, um grupo chamado Pac Pace Crew tem feito a diferença na vida de muitos moradores. Criado por três amigos, o projeto gratuito visa incentivar a prática de atividades físicas entre pessoas de diferentes idades e níveis de preparação, incluindo aquelas com deficiência.
Eduarda Ohana, de 34 anos, é uma das participantes que representa essa transformação. Após sofrer um atropelamento e passar a utilizar cadeira de rodas, ela não apenas retornou à corrida como redescobriu sua autonomia e paixão pelo esporte.
Uma comunidade unida
O Pac Pace Crew se reúne às quartas-feiras à noite, com treinos cobrindo cerca de cinco quilômetros.
A inclusão é um ponto forte do grupo, onde os corredores se ajudam mutuamente, garantindo que ninguém fique para trás. Eduarda destaca que o apoio dos membros é fundamental para superar obstáculos e completar os treinos.
“Correr novamente significou recuperar uma parte importante de minha vida”, diz Eduarda, ressaltando o impacto psicológico positivo que a atividade trouxe. Além da saúde física, o grupo proporcionou um novo senso de comunidade e amizade.
Desafios e superações
No entanto, a jornada não é isenta de desafios.
Eduarda frequentemente enfrenta dificuldades com a cadeira de rodas em um ambiente urbano que carece de acessibilidade adequada. O grupo planeja uma campanha de arrecadação para adquirir uma cadeira de corrida apropriada, mostrando que a luta pela inclusão vai além dos treinos.
A história de Marcelo Alexandre, um dos fundadores do grupo, também ilustra a importância do esporte. Após um acidente que quase o fez abandonar seus estudos, ele encontrou força na corrida e se formou em Educação Física, agora ajudando a inspirar outros a seguir o mesmo caminho.
Expansão e impacto social
Em apenas quatro meses, o Pac Pace Crew cresceu de 20 para cerca de 300 participantes.
Essa evolução reflete não apenas o aumento no número de corredores, mas também a mudança de mentalidade na comunidade. O objetivo é criar uma base física para treinos funcionais e promover iniciativas sociais, como arrecadações de alimentos.
O grupo não só trabalha na promoção da saúde física, mas também busca transformar vidas, criando laços de amizade e encorajando os moradores a se metabolizarem por desafios que antes pareciam fora de alcance.