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Tráfico transnacional: como o Comando Vermelho se fortalece

O crescimento do narcotráfico na Amazônia

No mês de março de 2025, um submarino com 6,6 toneladas de cocaína foi apreendido no arquipélago dos Açores, Portugal. A carga, avaliada em mais de R$ 2 bilhões, despertou a atenção das autoridades não apenas pelo volume, mas pela sua origem: Macapá, no Amapá. Esta operação revelou uma mudança significativa nas rotas do tráfico internacional, com o Comando Vermelho (CV) estabelecendo a Amazônia como um dos principais corredores de droga rumo à Europa.

Um relatório da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC) apresentou detalhes dessa transformação. O estudo aponta que o aumento da repressão em portos tradicionais, como Santos e Vila do Conde, levou os traficantes a utilizarem alternativas menos vigiadas, como o Porto de Santana, em Macapá, que apresenta pouca fiscalização e falta de tecnologia de inspeção.

A evolução do tráfico e a atuação do Comando Vermelho

O CV, que se tornou uma força dominante na Bacia Amazônica, adota uma estratégia flexível, permitindo que grupos locais operem sob sua supervisão. Isso tem viabilizado o controle sobre rotas logísticas e a expansão do tráfico na região, impulsionado pelo aumento das apreensões e da violência. Entre 2019 e 2024, as apreensões estaduais de cocaína aumentaram 574%, alcançando 162 toneladas.

A dinâmica histórica do tráfico no Brasil é complexa. Desde os anos 1980, quando os cartéis colombianos estabeleciam a “Rota do Solimões”, até a crescente influência do CV e a entrada do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região em 2010, a Amazônia passou por transformações significativas nas mãos do narcotráfico.

O papel dos mergulhadores e a sofisticada logística do crime

Uma tática inovadora adotada pelos traficantes envolve a contratação de mergulhadores profissionais, muitos deles ex-militares ou bombeiros, que são trazidos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Essas operações noturnas, realizadas em águas escuras e profundas, têm sido empregadas para esconder drogas em compartimentos de navios, longe da fiscalização.

Além disso, a utilização de lanchas blindadas e aeronaves está aumentando, destacando a sofisticação dos métodos usados para evitar a detecção. Um exemplo recente envolveu a recuperação de 150 quilos de cocaína de um navio ancorado no Porto de Santana, onde a profundidade causou complicações para os bombeiros que tentavam retirar a carga.

Desafios e propostas para o combate ao tráfico

O crescimento do tráfico de drogas na Amazônia demanda ações mais robustas e colaboração entre as autoridades de segurança. Gabriel Funari, coordenador da GI-TOC na região, defende investimentos em tecnologia, especialmente na instalação de escâneres em portos menores, para enfrentar esses desafios e desmantelar as redes de narcotráfico que se fortalecem cada vez mais.

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