Cidades-pêndulo e seu impacto nas eleições
O primeiro turno das eleições de 2026 evidenciou a estratégia adotada por Flávio Bolsonaro, que conquistou a confiança dos eleitores em 495 municípios considerados pendulares. Essas localidades, que já mostraram disposição de mudar seu voto ao longo dos anos, têm um eleitorado que totaliza 9,2 milhões de pessoas.
Historicamente, esses municípios já votaram em Jair Bolsonaro em 2018, migraram para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 e, agora, retornaram sua preferência a Flávio no primeiro turno deste ano.
Tais variações, em um cenário eleitoral tão equilibrado, podem ser essenciais para determinar o resultado final da eleição.
O município de Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo, se destaca nesse panorama. Com 583 mil eleitores, a cidade tem um histórico de apoio ao PT, mas a partir de 2014, começou a oscilar entre as preferências eleitorais, evidenciado pelas votações expressivas que Bolsonaro alcançou em 2018, em contraste com o avanço de Lula em 2022 com uma diferença mínima de apenas quatro pontos.
Flávio conseguiu uma margem ainda mais estreita, superando Lula por apenas dois votos.
A dinâmica das cidades pendulares
Goiás é o estado com a maior concentração de municípios pendulares, onde um em cada cinco troca de lado nas eleições. Minas Gerais, conhecido como um “estado-espelho”, ocupa o segundo lugar com 19% de suas cidades nesse perfil, totalizando 162 no estado.
O resultado em Minas foi determinante, considerando a diferença de cerca de 600 mil votos a favor de Flávio Bolsonaro.
Municípios como Betim, Montes Claros, Ribeirão das Neves e Santa Luzia são exemplos claros dessa dinâmica. Analistas políticos indicam que essas áreas, circundando a capital mineira, têm o potencial de decidir a eleição, o que leva Lula a intensificar sua comunicação e campanha com vídeos regionais para tentar reverter a situação.
O cientista político Malco Camargos ressalta que a recuperação de votos em Minas é crucial para Lula, já que as perdas de apoio mais significativas ocorreram em cidades menores onde a mensagem da campanha pode não ter alcançado efetivamente os eleitores.
O panorama socioeconômico das cidades pendulares
Fábio Vasconcellos, da Uerj e PUC-Rio, estudou a oscilação de votos e notou que 1.091 cidades mudaram de lado mais de duas vezes desde 2002. Estas cidades, que contam com um PIB per capita acima da média nacional e um Ideb favorável, abriga 75% com até 20 mil habitantes.
A localização dessas cidades em áreas metropolitanas as torna poderosos redutos de votos, onde pequenas mudanças na preferência eleitoral podem resultar em significativas transferências de votos.
Recentemente, uma pesquisa da Quaest apontou um aumento dos eleitores indecisos, que agora alcançam 14%. Isso indica que as campanhas devem focar na conquista desse eleitorado em potencial, crucial em um cenário tão acirrado.