A Provocadora Presença da BR-319 na Amazônia
A BR-319, que conecta Manaus a Porto Velho, já está gerando um aumento significativo na ocupação agropecuária em uma das áreas mais intocadas da Floresta Amazônica, mesmo antes de sua pavimentação. Dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) indicam que a malha de estradas clandestinas ao longo da rodovia cresceu 70% entre 2020 e 2025. O número de estradas clandestinas aumentou de 3,9 mil para 6.643 quilômetros.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva defende a pavimentação da BR-319, afirmando que adotará os ‘maiores cuidados ambientais do mundo’. No entanto, a obra enfrenta resistência de organizações ambientais que alertam para os riscos à biodiversidade local.
Impactos Diretos nas Áreas Preservadas
Entre 2020 e 2025, a área ocupada por atividades agropecuárias nas proximidades da rodovia aumentou de 81,3 mil hectares para 118 mil hectares—um crescimento de 45%. Por outro lado, a vegetação nativa na região diminuiu de 765,3 mil hectares para 728 mil hectares, refletindo uma queda de 4,9%.
Bruno Ferreira, pesquisador do Imazon, destaca que a perda de vegetação nativa se concentra em municípios do Sul do Amazonas, como Humaitá e Canutama. Ele alerta que a conversão da vegetação “não é apenas uma mudança de cobertura do solo”, mas também resulta na fragmentação de habitats e aumento da ocorrência de queimadas.
Desafios e Controvérsias Judicializadas
A obra da BR-319 enfrenta contestações judiciais. Autoridades locais defendem sua realização, visto que a estrada é a única ligação terrestre de Manaus com o restante do país, enquanto ativistas pedem que os procedimentos de licenciamento ambiental sejam rigorosamente cumpridos para mitigar os impactos negativos.
A construção da estrada começou em 1968, simbolizando o desenvolvimento durante a ditadura militar, mas ela foi considerada intransitável em 1986 devido ao abandono.
Monitoramento e Ações Integradas
O Ministério do Meio Ambiente reconheceu que ramais abertos de forma irregular ao longo da BR-319 representam um vetor conhecido de desmatamento, especialmente associados à grilagem de terras públicas e extração ilegal de madeira. Para melhorar a situação, em maio de 2026, foi lançado o Plano Estratégico de Ações Integradas para a BR-319.
Esse plano mira um monitoramento mais efetivo e fiscalizações integradas, com a participação de diferentes agências e estados, para proteger as áreas críticas ao redor da rodovia. Apesar das controvérsias, a jornada da BR-319 continua a ser um tema central nas discussões sobre desenvolvimento e preservação ambiental na Amazônia.