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Esquerda forma ‘bancada profissional’ digital para desafiar direita no Congresso

No último domingo (25), durante o discurso de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, os deputados federais recém-eleitos Guilherme Cortez (PSOL-SP) e Ana Júlia Ribeiro (PT-PR) chamaram a atenção. Embora só assumam seus mandatos em 2027, eles já têm milhares de seguidores nas redes sociais e, juntamente com outros parlamentares jovens, devem compor o que estão chamando de ‘bancada profissional digital’ de Lula para o quarto mandato.

Essa bancada, que já conta com pelo menos 13 deputados de partidos como PT, PSOL, PCdoB e PSB, surge após o presidente ter recebido 2,2 milhões de votos a menos que Flávio Bolsonaro nas eleições. O objetivo é competir nas redes sociais com figuras da direita, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que tiveram resultados expressivos nas urnas.

Junto de André Janones (Rede-MG), reeleito deputado federal e idealizador do canal de WhatsApp “Exército de Lula”, o grupo propõe usar a presença digital para manter a mobilização que foi vital na reta final da campanha. Lula afirmou que pretende fortalecer a comunicação digital, conversando diretamente com seus apoiadores por meio dos canais do parlamentar.

A bancada mais jovem da esquerda ressalta a importância de um discurso unificado, com a intenção de ampliar o alcance de suas pautas utilizando algoritmos e estratégias digitais. Eles não realizaram reuniões preparatórias ainda, mas expressam a necessidade de um alinhamento significativo para a disseminação de conteúdos nas redes sociais.

Embora enfrentem uma desvantagem numérica – o PL de Bolsonaro tem 121 deputados, quase igual ao total dos partidos da esquerda que somam 124 – os deputados da nova geração acreditam ter um preparo melhor para o embate. Cortez enfatiza que, embora a direita tenha uma vantagem em termos de quantidade, a bancada progressista está preparada para o enfrentamento com uma capacidade qualitativa superior.

Erika Hilton (PSOL-SP), uma das líderes nas redes sociais, sugere que é vital dialogar com parlamentares de centro e direita, a fim de isolar o bolsonarismo e avançar em projetos relevantes. Ela reconhece que, apesar da autonomia de cada mandato, a organização da bancada será crucial durante o novo período legislativo.

Entre os jovens eleitos estão Ana Elisa (PT-MG), Pedro Rousseff (PT-MG), Giovana Mondardo (PCdoB-SC), Rosa Amorim (PT-PE), Luna Zarattini (PT-SP), além de ativistas como Jones Manoel (PSOL-PE) e Rick Azevedo (PSOL-RJ). A reeleição das deputados Erika Hilton, Dandara Tonantzin (PT-MG), Pedro Campos (PSB-PE) e Camila Jara (PT-MS) reforça a ideia de que a bancada de juventude traz compromisso com a renovação política.

O professor de Comunicação Política da PUC-Rio, Arthur Ituassu, destaca que para manter a influência nas redes, a esquerda precisa institucionalizar a estratégia digital utilizada durante as eleições, pois essa disputa de narrativas será fundamental para o sucesso político no futuro. Cortez também acredita que a nova geração precisa oferecer respostas convincentes para evitar que as frustrações legítimas da população sejam capitalizadas pela extrema-direita.

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